“Até que esteja ancorada no Infinito, a pessoa precisa fazer singrar, com valentia e constância, o barco mental da concentração pelos mares tranquilos ou procelosos das experiências interiores. O iogue cuja mente está livre das ondas temporárias da exaltação mental, da tristeza ou das perturbações emocionais descobre dentro de si o reflexo claro do Espírito.”

Paramahansa Yogananda

Concentração – Aplicação na Vida diária

“Quem quer que procure a realização material deve manter a mente imperturbável no êxito ou no fracasso. O homem de negócios que não se deixa exaltar pelas conquistas descobre que sua concentração está pronta para o caminho de êxitos maiores. Um homem que se alegra excessivamente com o êxito temporário raramente alcança a prosperidade permanente; com uma autoconfiança enganosa, pode gastar seu dinheiro de maneira insensata e desse modo cortejar o fracasso. Por outro lado, o homem que fica deprimido pelos reveses nos negócios perde o poder focalizador da concentração, inabilitando assim a sua capacidade de renovar esforços.

Um general que se deixa empolgar pelo êxito temporário na batalha perde a concentração que lhe permitirá impedir nova invasão do inimigo. E aquele que se desespera excessivamente por causa de uma perda temporária na batalha fica psicologicamente despreparado para vencer batalhas futuras.

Todos os homens mundanos que buscam o êxito na arena financeira ou em qualquer outra espécie de competição precisam manter a mente tranquila para enfrentar as circunstâncias constantemente cambiantes de sua vida. Como um trator, essas pessoas devem ser capazes de mover-se facilmente nas subidas e descidas no campo da vida.

Uma pessoa equânime é como um espelho de discernimento que reflete a verdadeira natureza e as aparências dos acontecimentos favoráveis e desfavoráveis. Assim, ela se mantém de prontidão para agir de maneira sensata e adequada, sem que as distorções emocionais a desviem do caminho correto.”

Inspirações do livro “Deus Fala com Arjuna – O Bhagavad Gita”

Como usamos nossa concentração

“Como um “filho de Deus” desperto, o homem tem o direito de exigir de seu amoroso Pai saúde, prosperidade ou qualquer outra coisa necessária. Geralmente as pessoas querem os brinquedos das coisas materiais antes de descobrir a Deus. Contudo, depois de encontrá-Lo, mesmo os maiores desejos materiais tornam-se insípidos, não por causa da indiferença, mas pela comparação com Deus que é a Bem-aventurança que tudo satisfaz e apaga a sede de todos os desejos. Muitas pessoas empenham-se sem êxito, durante a vida toda, em conseguir um objetivo material, deixando de perceber que se tivessem aplicado um décimo da concentração usada para procurar coisas mundanas no esforço de encontrar Deus primeiro, poderiam então ter a satisfação não apenas de alguns desejos, mas de todos os desejos de seu coração.”

Dharana, um dos 8 passos da senda da Yoga

“Dharana é concentração ou fixidez na concepção interior em que se medita ou no objeto da meditação. Surge, assim, dessa contemplação, a percepção da Presença Divina, primeiro no interior da própria pessoa, e depois evoluindo para a concepção cósmica – conceber a imensidade do Espírito, onipresente em toda a criação e para além dela.”

Inspirações do livro

Deus Fala com Arjuna – O Bhagavad Gita https://bit.ly/2Z67DKy

Arjuna e o olho do pássaro

*Fonte: NETMUNDI.ORG

Em uma manhã ensolarada, um grande grupo de meninos se reuniu com seus arcos e flechas. Não eram garotos comuns. Eram os cinco Pandavas e cem Kauravas! Eram primos, e uma feroz rivalidade entre eles começou quando eram apenas crianças. Esses jovens príncipes se tornariam homens de incrível poder. Os cinco Pandavas eram até filhos de deuses!

Nesse dia, Droṇāchārya, seu mentor e especialista militar, organizou uma competição. Através de um riacho, colocou um pequeno pássaro de madeira em uma árvore. Ao retornar para os meninos, lhes disse: “Hoje quero ver quem entre vocês pode atingir o olho daquele pássaro do outro lado do rio.”

O pássaro parecia minúsculo, mas os garotos estavam confiantes de que poderiam passar no teste. Eles já não haviam derrubado grandes feras em suas caçadas antes? Como esse pequeno pássaro poderia representar um desafio tão grande? Ansiosamente, cada um dos jovens príncipes esperou que Droṇāchārya chamasse seus nomes.

Yudhisthira, o mais velho entre os Pandavas, foi chamado primeiro. Tomando posição ao lado de seu professor, puxou a corda do arco e apontou sua flecha na direção do pássaro.

“Você consegue ver o pássaro?”, disse Droṇāchārya. Querendo ser meticuloso, Yudhisthira começou a listar tudo o que podia ver: “Eu vejo o pássaro de madeira, o galho e a árvore. Eu posso ver as folhas se movendo e ainda mais pássaros sentados na mesma árvore. Eu posso ver o riacho, a grama, outras árvores e o céu.” 

Quando ele terminou, esperou pelo comando final de seu mestre para atirar. Mas Droṇāchārya disse: “Abaixe o seu arco e sente-se Yudhisthira, você não atingirá o olho do pássaro.”

Confuso, Yudhisthira silenciosamente caminhou de volta para seus irmãos sem questionar. O próximo garoto foi chamado, posicionou-se ao lado de Droṇāchārya, puxou a corda do arco, e o professor fez a mesma pergunta. O jovem deu uma resposta semelhante, nomeando tudo o que podia ver. Mais uma vez, o garoto foi avisado para guardar o arco.

O mesmo ocorreu com todos os garotos que se seguiram, que voltavam decepcionados para seu grupo, até que finalmente Arjuna foi chamado. O jovem príncipe tomou seu lugar, levantou seu arco, puxou a corda e apontou sua flecha muito seriamente. Droṇāchārya prosseguiu:

— Diga-me o que você pode ver, Arjuna.

— Eu posso ver o olho do pássaro.

— Você não consegue ver as árvores e o céu? Ou talvez o galho em que o pássaro está sentado?

— Não, senhor, eu vejo apenas o olho do pássaro.

Droṇāchārya ficou satisfeito com essa resposta. Ele lançou um olhar para a multidão de meninos, que ficou em silêncio, mas lentamente começaram a concordar quando a lição ficou clara. Então, ordenou:

— Dispare sua flecha, Arjuna!

Arjuna então disparou. Com um forte ruído a flecha atingiu o olho do pássaro. Um tiro perfeito. A ave caiu com um pequeno baque enquanto todos os garotos assistiam à cena admirados.

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