Um pouquinho da história desse Mestre:

Lahiri Mahasaya nasceu em 30 de setembro de 1828, com nome de batismo Shyama Charan Lahiri. Era filho único de Muktakashi e Gaur Mohan Lahiri. A mãe dele faleceu quando ele era menino. Pouco se sabe sobre ela, apenas que era uma devota ardente de Shiva (rei dos iogues). 

Em 1846, Shyama Charan Lahiri casou-se com Srimati Kashi Moni. Tiveram dois filhos e duas filhas. Aos 23 anos, em 1851, ele assumiu o posto de contador no Departamento de Engenharia Militar do governo britânico. Mas foi aos 33 anos que viu cumprir-se o desígnio para o qual reencarnara na Terra: ele encontrou seu grande guru, Babaji, perto de Ranikhet, no Himalaia, e foi iniciado por ele em Kriya Yoga – técnica científica de meditação. 

Separamos 5 histórias especiais do mestre indiano para você conhecê-lo melhor e, claro, sintonizar com a sua luminosa energia. 

1) Um homem invisível?

Na Autobiografia de um Iogue, Yogananda conta que muitos fotógrafos tentaram tirar fotos de Lahiri em vão. Sempre – o lugar onde ele estava – aparecia vazio na imagem. Certa vez, um dos fotógrafos foi reclamar com ele e um curioso diálogo se desenrolou a partir dali:

– Eu sou Espírito. Pode sua câmera fotográfica refletir o invisível onipresente?, disse Lahiri.

– Vejo que é impossível! Mas, santo senhor, desejo amorosamente um retrato de seu templo corpóreo. Minha visão era limitada: até hoje não tinha percebido que o Espírito habita plenamente no senhor, insistiu o rapaz.

– Então regresse amanhã de manhã. Posarei para você. Pontuou Lahiri.

No dia seguinte, o fotógrafo novamente focalizou sua máquina. Desta vez a sagrada figura, não coberta de imperceptibilidade misteriosa, apareceu nítida na chapa. O mestre jamais posou novamente; pelo menos, Yogananda diz nunca ter visto outro retrato dele. 

2) Lahiri cura Yogananda
Aos 8 anos de idade, Yogananda contraiu cólera asiático, foi desenganado pelos médicos que pouco podiam fazer. Estava completamente prostrado, sem conseguir se mexer. Sua mãe o incitava a olhar para a foto de Lahiri e se curvar mentalmente diante dele. Quando ele olhou fixamente para a imagem, viu uma luz cegante envolvendo seu corpo e o quarto inteiro. Num instante, o enjôo e os outros sintomas sumiram. Imediatamente, ele se levantou e se curvou diante da foto de Lahiri. Sua mãe presenciou a luz também e disse: 

– Ó Mestre Onipresente, agradeço-te por tua luz ter curado meu filho! 

Yogananda dizia que essa foto de Lahiri era um de seus bens mais preciosos e havia sido dada ao seu pai pelo próprio Lahiri. 

3) O guru-chefe de família  

Trecho da Autobiografia de um Iogue:

Sem que a sociedade em geral o soubesse, um grande renascimento espiritual teve início em 1861, num remoto recanto de Benares. Assim como não se pode suprimir a fragrância das flores, igualmente Lahiri Mahasaya, vivendo quietamente como chefe de família ideal, não podia esconder sua glória inata. Como abelhas, devotos de todas as partes da Índia começaram a procurar o néctar divino do mestre liberto.

Dia após dia, o sublime guru iniciava um ou dois devotos em Kriya Yoga. Além dos deveres espirituais e das responsabilidades profissionais e familiares, o grande mestre passou a interessar-se entusiasticamente pela educação. Organizou numerosos grupos de estudo e tomou parte ativa no desenvolvimento de uma grande escola secundária no distrito Bengalitola, em Benares. Nas reuniões semanais que vieram a ser conhecidas como “Assembleia do Gita”, o guru explicava as Escrituras a muitos sinceros buscadores da verdade.

 A vida harmoniosamente equilibrada do grande guru-chefe de família tornou-se uma inspiração para milhares de homens e mulheres. Ganhando apenas um modesto salário e sendo econômico, despretensioso, acessível a todos, o mestre continuava de modo natural e feliz na trilha da vida disciplinada no mundo, porém abrigado no trono do Senhor. 

4) O que significa Banat Banat, ban jai?

Com frequência Lahiri dizia: “Banat, banat, ban jai”. Um dos comentários favoritos dele, com o qual incentivava seus discípulos a perseverarem na meditação. Literalmente, significa: “Fazendo, fazendo, algum dia feito”. Pode-se traduzir livremente o pensamento assim: “Um esforço hoje, outro amanhã, e um dia você atinge a Meta Divina”.

5) A bênção de Yogananda

Em uma carta deixada pela mãe de Yogananda ao filho, o pai da yoga no Ocidente soube de uma importante passagem dele com Lahiri Mahasaya:

“Naquela época, levei-o no colo à casa de meu guru em Benares. Eu mal podia ver Lahiri Mahasaya, sentado em meditação profunda, quase escondido atrás de uma multidão de discípulos. Enquanto o acalentava, eu orava para que o grande guru nos percebesse e abençoasse. À medida que meu silencioso pedido devocional crescia em intensidade, ele entreabriu os olhos e fez sinal para que me aproximasse. Os outros abriram caminho; curvei-me diante dos pés sagrados. Lahiri Mahasaya colocou você no colo dele, pousando a mão em sua fronte, à guisa de batismo espiritual. ‘– Mãezinha, teu filho será um iogue. Como uma locomotiva espiritual, levará muitas almas ao reino de Deus’”.

Quer saber mais sobre a história de Lahiri Mahasaya e dos demais mestres de sua linhagem? Na Autobiografia de um Iogue, você encontrará o que procura: https://bit.ly/2nTwhyn 

Carolina Conti

Carolina Conti é jornalista com especialização em Ciências da Religião pela PUC e autora do blog Altar Particular (https://blogaltarparticular.wordpress.com/). Atua como editora e coordenadora da área de Comunicação na Omnisciência.

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